Um Negão em minha vida

24.9.14



Sobre traição e Amor

Ela - Meu computador não tem esse power point....mas imagino que era safadeza na certa!!!!!
Ele - Se enganou..... apenas um fato engraçado. Tezão instale o MSN e aí podemos conversar teclando. Delíciaaaaaaaaaaaaaa

Ele- Haa! Então é ali que vc toma ônibus, então eu posso te levar é só andar até a General Rondon e esperar na frente da padaria Luxor. Beijossss
Ela - Não... só peguei aquele dia pq ia fazer exame...pego sempre na Pedro Lessa....bjs

Ela - Hoje nem se vc fosse o último homem....
Ele - Magoou heim! Mas amanhã já está certo né? Responda em qual ponto vc estava qdo me viu na segunda de manhã.
Ela- Hoje já te falei que não vai dar. Deixa pra lá. Eu estava afim ontem...

Ele - Bom dia gracinha.....Que chato ontem heim.....estava com tanta sede de vc e quebrei a cara. Continuo assim.....espero vc hoje, não falte tezão!!!! (sic)

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A conversa acima são alguns trechos de troca de emails entre o meu ex e uma conhecida nossa, na época.
Resolvi começar esse post dessa forma para que você entenda de que maneira eu estava quando o meu Negão apareceu em minha vida.

Apesar do namoro de 9 anos, estávamos vivendo juntos há pouco tempo. Após a descoberta da traição, voltei para a casa de minha mãe. Porém, as coisas tinham mudado. Eu precisava urgente arrumar um novo lar e seguir carreira solo.
Juntei tudo o que foi possível e, sinceramente, não sei como consegui financiar um apartamento. Esse processo não foi do dia pra noite. E por um período, precisei me virar em um sofá de dois lugares.
Paralelo a isso, eu ainda estava me refazendo de uma dissolução societária.
Deus deve ter pensado: Vamos ver até onde essa guria aguenta...


Eu e Negão - 2010

E daí que em uma sexta-feira no início de 2008, eu estava com a secretária em um restaurante perto do escritório para almoçar. Estávamos logo na entrada, em pé e de costas para a avenida Conselheiro Nébias. 
Um forte barulho e muitas pessoas correndo nos chamou a atenção. Percebi que tinham acabado de atropelar um cachorro.

Não sei por que fui até lá. Apenas fui.
Deixei a secretária no restaurante e disse que ela poderia fechar o escritório e ir embora e tirar a tarde livre.
Fiquei ali.....no meio de mais 15 pessoas tentando resolver o problema do animal. Não vi quem atropelou, só sei que fugiu do local sem prestar socorro. 

O cachorro, muito assustado, atravessou a avenida puxando a perninha que estava visivelmente quebrada (não foi fratura exposta).
As pessoas foram aos poucos indo embora e apenas eu e uma garota fomos atrás do animal, para ver onde ele queria ir. Talvez ele fosse de alguma casa ou comércio naquela avenida.

O animal percebendo que estava sendo seguido, fugia cada vez mais. Não sei como ele aguentou... 
Durante o trajeto, fui fazendo contatos com pessoas pelo celular para tentar achar um taxi dog e tentar resgatá-lo, para levar a um veterinário. Não consegui. 
Consegui sim falar com o Centro de Zoonoses da PMS e um caminhão (carrocinha) veio buscar o cachorro. Levou a tarde toda, a carrocinha demorou pra chegar e o cachorro continuou se esgueirando entre os muros.

Por fim, eu e a garota já tínhamos percorrido toda a extensão de uma das maiores avenidas de Santos atrás do animal. Quando finalmente a carrocinha chegou, percebi o tamanho do erro que cometi. Eles simplesmente usaram um cabo, tipo um fio, e laçaram o cachorro pela cabeça e o jogaram com tudo dentro do caminhão. Eu tive a nítida impressão de ter ouvido mais ossos sendo quebrados.
Meu coração ficou reduzido a pó.....
Cheguei na casa da minha mãe acabada e chorando horrores. Passei o sábado e o domingo só pensando naquele pobre animal. 

Na segunda-feira, logo pela manhã, fui ao Centro de Zoonoses. A cena foi a mais horrível que já vi. Não tinham feito nada.....o cachorro continuava com a perninha quebrada, tinha uma marca do fio que rasgou sua boquinha no momento em que foram laçá-lo, com cortes na cabeça.....em fim, um horror !!!
O Centro de Zoonozes não possui centro cirúrgico. Por este motivo o atendimento ainda não tinha sido feito.
Assinei um termo de responsabilidade e retirei o animal de lá com uma coleira que eu já tinha colocado no carro e uma focinheira. E agora José?

Não lembro de todos os detalhes.... Só sei que lá mesmo no Centro de Zoonozes me indicaram uma Ong para pedir ajuda. Saí de lá direto para a Ong Defesa da Vida Animal - Av. Almte Tamandaré 136. Chegando no local, precisei esperar bastante pois o veterinário só chegaria bem mais tarde. 
Não tinha o que fazer..... Fiquei com a fera negra no carro esperando a hora do atendimento. Foi uma eternidade.....

Quando fomos atendidos, recebi a triste notícia de que o cachorro estava com as duas perninhas quebradas. Cada uma em um lugar diferente. Uma perninha iria se restabelecer sem cirurgia e a outra teria que colocar um ferro de tração, mas que estava muito infeccionada, e por este motivo a cirurgia não poderia ser feita. Era necessário entrar com medicamentos para posteriormente marcar a cirurgia.
A Ong me emprestou uma gaiola de transporte e lá estávamos nós... sem destino e sem rumo...... eu e o cachorro negro.

Na casa da minha mãe ele não poderia ficar, pois na época existia o Platoon e a Princesa, e minha mãe não teria condições de cuidar do cachorro negro. Eu tinha que trabalhar.....
Meu Deus....o que fazer?

Saí dirigindo totalmente desorientada, chorando muito e rezando ao mesmo tempo. Pedindo a Deus uma luz, um sinal....
Eu não tinha condição financeira nenhuma para uma internação em uma clínica particular.
Depois de dirigir por mais de uma hora, como uma barata tonta, parei o carro ao lado do Orquidário e rezei implorando por uma solução. É preciso ter fé e reconhecer os sinais.

Olhei para o lado e vi uma casa branca de portões verdes com a seguinte frase: Clínica Veterinária Dr. "X" (não lembro mais o nome do médico). Daí lembrei que esse era o veterinário que um dia me ajudou, quando achei a Princesa perdida no Gonzaga. 

Eu e a linda Princesa
Princesa nos deixou e virou uma estrelinha em 2009

Breve história da Princesa - Esse médico, Dr. X, estava ao meu lado, na Rua Alagoas, no momento em que a Princesa estava andando totalmente perdida. Tanto eu quanto ele, ficamos surpresos em ver uma cachorra tão linda perambulando sozinha. Então, ele propôs colocar anúncios nos jornais e eu ficaria com ela até aparecer o dono, o que não aconteceu. Acabei ficando com a loira gorda mais gostosa desse mundo!!! 

Voltando ao caso do cachorro negro.....
Quando vi o nome do tal médico na fachada da casa branca, lembrei do dia em que achamos a Princesa e resolvi arriscar e pedir ajuda. Chegando lá, seu filho Rodrigo, estudante do primeiro ano de medicina veterinária, me informou que seu pai havia falecido há dois anos e que a clínica não estava mais funcionando. Que o único serviço ativo era o de banho e tosa.

Nesse momento meu mundo caiu, de novo.
Chorei, chorei, chorei.....o rapaz, assustado, foi até o meu carro ver o cachorro negro. 
Ele disse que não poderia atender pois não era veterinário formado. Porém, percebi que a clínica, mesmo não estando em funcionamento, tinha canil e uma boa estrutura física.
Fiz uma proposta: Ele ficaria com o cachorro, ministraria os medicamentos para controlar a infecção até o dia da cirurgia e eu pagaria uma mensalidade (abaixo do mercado) ...ELE TOPOU!!!!! Acredito que isso também tenha colaborado à sua futura profissão! 




Até esse momento, a fera negra não aceitava aproximação e seu manuseio era feito com muito cuidado.
Para evitar que o cachorro andasse de um lado para o outro, Rodrigo resolveu confiná-lo em um banheiro. Uma tala, não muito apertada, foi colocada e os medicamentos eram ministrados de hora em hora. Quem fazia o serviço de dar os remédios, limpar o banheiro/cela, trocar água e dar comida era o William, funcionário do banho e tosa que trabalhava para o Rodrigo. 
William e Rodrigo foram os primeiros a ter contato direto com o cachorro negro e que em poucos dias foi batizado por eles como Negão.

No total foram 67 dias de tratamento. Eu me desdobrava entre trabalho, reerguer meu negócio, procurar apartamento e visitar o Negão. Estive presente em todos os 67 dias e minhas visitas nunca foram menos de duas horas. 

No começo, minha aproximação era tímida. Negão era muito bravo e não gostava de mim. William entrava comigo no banheiro, eu sentava no chão num cantinho oposto do cachorro, até ele pegar confiança. Conquistá-lo virou um desafio. Um delicioso e amoroso desafio!!! Sem saber, essa era a válvula de escape que eu precisava para não pirar!!!





Um dia cheguei na clínica e o Negão não estava mais no banheiro. O Rodrigo tinha colocado ele em um quarto no andar de cima, com a janela voltada para o morro e com uma paisagem bem legal, para que o Negão tomasse um solzinho. Eu já estava bem a vontade e ficava horas com meu Negão deitado ao meu lado, olhando o morro e a movimentação dos outros cachorros que eram atendidos lá em baixo no banho e tosa.

A infecção foi controlada, a cirurgia foi feita na Ong e o Negão voltou novamente para os cuidados do Rodrigo e do William. Mas desta vez, com um ferro no osso.



No meio disso tudo, consegui comprar minha humilde residência.
No dia em que peguei as chaves, saí do banco e fui direto para a clínica e retirei o Negão. Comecei uma nova vida com um cachorro negro com um ferro no osso, uma TV de 14 polegas, uma lata de tinta que era o apoio da TV e um colchonete. Negão se recuperou, o ferro foi retirado e uma pequena sequela (ele não dobra a perninha) é o carimbo de toda a história.

Desde então, não houve um dia sequer que eu não tenha sorrido. Meu filho negro! 
Amo tanto que até dói!!!! Minha alegria!!! Meu amor eterno!!!
Agradeço a Deus por todos os anjos que já apareceram em minha vida!!!
E nessa história, foram muitos!




Negão e Eu - 14/01/2015
Bjaum!


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12 comentários

  1. Que história linda!!

    Beijos,
    A Mãe da estela

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  2. Somente uma pessoa abençoada por Deus é capaz de fazer o que você fez pelo Negão. Estou em prantos e rezando por vocês pelo resta da minha vida.Você será recompensada por todo amor que você oferta.
    Cristina - cristina240755@hotmail.com

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  3. Assim que eu parar de chorar eu comento

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  4. Ai Mana ! É uma das estórias de amor mais linda que já ouvi. Um príncipe negro surgiu na tua vida. Diz uma brincadeira que se a gente quiser fidelidade deve ter um cachorro. E é uma grande verdade para um cão, um restinho de comida e muito carinho é o suficiente pra conquistarmos um amigo fiel. É o quê precisamos essencialmente pra viver. Quando achamos que não temos mais nada, não temos para onde ir, se olharmos em volta perceberemos que sempre haverá alguém muito mais carente do que nós. Se sentirmos empatia pelo sofrimento do outro ganhamos uma causa. E muitas vezes quando nos aproximamos dos problemas de outros redimensionamos melhor os nossos e a clareza disso tem bons resultados. No teus casos foi uma união feliz. Muito obrigada por compartilhar lembranças tão íntimas. Bjim!

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  5. Oi Vera é a Vi, que historia linda sua com Negão, sei como é esse amor, chega doer dentro da gente só de imaginar que algo possa acontecer com eles.
    As vezes passamos por lutas bem grandes, até pensamos que não vamos vencer, mas confiando em Deus, logo temos a vitoria e podemos contar a superação.

    Mas passei por aqui hoje dia 25/09, porque não me esqueci do seu aniversário, você é uma pessoa linda por dentro e por fora, batalhadora, divertida, com qualidades enormes, e talentos incríveis.
    Desejo que sua vida seja cheia de realizações e vitorias, muita saúde, e que sua alegria contagiante aumente cada vez mais.
    Muitos beijos e abraços apertados, meus e a Lia.

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  6. Oi Vera!

    Putz, acho que acabei de apagar o meu comentário...Fui na emoção não consigo escrever igual...
    Mas só posso dizer que sua estória com o Negão é linda! Que luta hein amiga? E vocês dois recomeçaram juntos...E sabe o que você é? Uma guerreira! Valeu a luta, vocês dois estão aí firmes e fortes.
    Ah, e que linda que era a Princesa! Que cor de pelo!
    Amiga, como hoje é um dia especial...Já te dei um abraço ao vivo, então deixo aqui o meu desejo de que você seja muito, mas muuuuuito feliz! E o Negão também!

    Beijos, Renata
    palpitanadoemtudo

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  7. Não consigo parar de chorar pra comentar, sorry :(

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  8. Essa história descreve exatamente a Vera que imagino. Te conheço pessoalmente, sei do seu alto astral e da sua bondade, força de vontade, do seu empenho.
    Linda história e sorte do Negão que te encontrou para receber este tantão e amor e também te dar um tantão de amor que não tem preço.

    Um beijo

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  9. OI Vera, muito linda a história do seu Negão. Você foi um anjo na vida dele e ele na sua.
    Uma historia de amor e companheirismo.
    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae@yahoo.com.br

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  10. Vera como tu és valiosa mulher, que história digna e maravilhosa, parabéns por essa conquista de um ser irracional, tão protegido por vc, mocionei

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  11. Lindo relato de amor verdadeiro e recíproco.

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  12. Que bela história, Vera! A primeira foto, de vcs dois, é linda! A penúltima, com o Negão rodeado de azul, também está show!
    Abraço!

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